Está em Brasília o angolano João Melo, intelectual respeitado do mundo lusófono. Ele veio lançar no Brasil, pela editora Record, o livro dedicado à memória do pai, Aníbal de Melo, que participou da fundação do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), à frente do país desde a independência, em 1975. Filhos da pátria (foto) reúne 10 contos em 176 páginas. João Melo usa de humor e ironia para falar de identidade nacional, racismo e corrupção. Ele conversou com o Correio sobre a obra, literatura e política. Analisou as eleições de setembro (as primeiras desde 1992) e a reação aos conflitos na vizinha República Democrática do Congo (RDC).
O que ele disse de mais relevante:
“Não dá para ser como os portugueses, que inventaram o fado. Nós, africanos, inventamos os ritmos que nos mantêm vivos, lúcidos, esperançosos. Nosso divã é o humor”.
“Não existe nada oficial ainda, mas há sinais de que haverá eleição (presidencial em 2009). E, embora o presidente não tenha dito se vai se candidatar, é previsível que sim. Não vislumbro de imediato outra liderança dentro do MPLA para disputar a presidência”.
“A corrupção em Angola tem de ser analisada à luz do contexto angolano e não de qualquer outro país. (...) A prioridade número um é a pobreza extrema”.
“Angola tem todo o interesse que a RDC seja estável, porque uma instabilidade vai levar a um êxodo muito grande de congoleses para o território angolano e, na fase que Angola vive, isso é tudo que não desejamos”.
Assinante do Correio confira a entrevista completa aqui.
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